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AL3X

Autodidata da Geração X. Espaço dedicado para reflexões positivas. Modelação de comportamento e aprendizagem de novas competências. Rumo ao melhor de mim.

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29.05.20

4/100 um conto sobre desconfinamento


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Hoje vou vos contar uma história… ou estória… ou conto.
Vai ser um exercício meu de escrita, espero que gostem. Se não gostarem, é justo. Amigos na mesma.

Um jovem velho, ou um adulto jovem, depois de alguns meses confinado em casa, saturado pela rotina imposta pelo confinamento e bafejado pela sorte de ter os seus filhos em casa 24h por dia, com toda a energia natural de crianças alimentadas a produtos açucarados ocasionais, que requerem amor, brincadeira e disciplina. Resolve após convite ir a um pequeno meeting, com os amigos para desejar sorte a alguém que vai emigrar, situação esta que já estava alinhada antes da pandemia.

À hora marcada, a mulher assume a sua posição na educação das crianças, e eu sinto-me a fazer algo novo pela primeira vez. Vesti umas calças depois de 2 meses de calções e T-shirts velhas. Senti o meu corpo berrar por cada botão apertado. Consulto o site da DGS e OMS e procuro pelos sintomas associados ao COVID 19, nada de roupa encolher. Vejo-me ao espelho e antes de vestir a camisa, aperto a barriga de onde sai uma prega de gordura. Os meus neurónios assimilaram que preciso de perder peso. M3rda, lá vou eu ter que procurar uma solução para o meu peso, que sempre foi um pouco acima da média, mas nunca tanto. Consultado os índices de IMC, o justo será perder 20kgs.

Mas perder 20kgs na verdade é um objetivo demasiado ambicioso, os nossos cérebros gostam de compromissos mais pequenos. Lembram-se do meu post inicial? O objetivo é vir todos os dias durante 100 dias escrever um post, nem que seja uma frase. Por isso resolvo aplicar o mesmo método à minha perca de peso e assim nasce mais uma tag neste blog #running100dias. Aqui procuro na verdade retomar o meu gosto pelo running e assim enganar o meu cérebro. Em vez de perder 20kgs, quero perder 1kg 20 vezes. São 20 objetivos alcançáveis, mas será para outro post.

Retomando o conto, a muito custo me vesti. Senti-me como um enchido no fumeiro da minha avó, ou melhor como os putos que vestem roupa entre estações e de repente a roupa já não serve. E lá fui ao convívio. Cheguei e fomos a uma esplanada após desconfinamento, senti-me como um puto que bebeu a sua primeira cerveja, um misto de vergonha por estar fora de casa e alegria por ser adulto e poder estar em sociedade. Mas o sentimento de medo imperava, não me sentia em segurança, apesar da esplanada cheia e estarem outras pessoas por lá. Se calhar o problema eram aquelas pessoas, pensava eu, enquanto apreciava o convívio e aquela cerveja gelada.

A conversa continuou durante umas horas, e o medo do vírus desapareceu, a normalidade instalou-se de uma forma impressionante, o meu organismo apreciou o vento na cara, os sorrisos, as conversas entre adultos e acima de tudo aquele sol a bater nos braços. Foi bom.
E vou vos dizer uma coisa, este sentimento de normalidade em pleno verão vai se apoderar de todos e vamos todos facilitar, as máscaras vão andar no bolso só para entrar nos hipers e não vão ser lavadas, vão servir para uma semana ou mais. Vamos todos criar atalhos às recomendações da DGS e OMS, o que vai originar a nova onda da pandemia e nos vai muito provavelmente fechar em casa entre agosto e setembro.

Espero estar enganado. Mas a verdade é que apesar de querer ir repetir o mesmo com os meus filhos e mulher. Tenho medo.

Obrigado por estarem aí até ao fim.

 

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